Revisão de texto Coerência e coesão Escrever: técnica e arte

Revisão de texto Coerência e coesão Escrever: técnica e arte
Livro imprescindível aos(às) profissionais do texto: escritor(a), revisor(a), professor(a), jornalista, jurista...

sábado, 10 de novembro de 2012

Definindo a saudade

Saudade "preenche" um vazio
impossível de uma felicidade
ainda viva dentro da gente.

Com ou sem esperança,
é sonho que ora não se alcança,
e a necessidade é urgente.

Perpetuando-se, na mente,
o afã do amor, refletindo a dor
que todo desejo concentre.

Mas... Para definir saudade,
morre toda verdade
no coração de quem sente...
  João Lover (2002) 

sábado, 27 de outubro de 2012

Poema para o "Bau"

Penso que seja legal
fazer o terno poema
para o amigo Bau.

Ele é o símbolo ideal
de toda e mais animal
candura já encontrada
nessa difícil estrada
tão assim turbulenta.

Insiste resiste o poema,
inspirado nessa Figura,
que não pensa em usura
ou não sabe da usura...
e não age com a maldade.
Vive numa santidade
no inferno aqui da Terra
e nunca se desespera:
tem a Paz da ingenuidade.

Seu olhar é a verdade,
possui uma felicidade
bem difícil de entender.
Ele não sabe ler,
sabe ser humanidade.

Essa sua irmandade
poucos 'humanos' a sentem.
somos longe e tão perto:
a multidão e o deserto
habitam dentro da gente.

E o amigo inocente
vive no meio das feras
com suas puras quimeras
e o seu sorriso pertinente.

Um homem muito cândido,
um escândalo sua riqueza,
concentrada na pureza,
mas Ele não sabe o quanto.
  João Lover (2002)


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Em 17/10/2012, jogo: Santos e Atlético Mineiro: mais um GOL de gênio

O Rei do futebol é Pelé; o Príncipe do futebol é Zico; Neymar eu digo que é o novo Rei do Futebol, naturalmente, sem superar o supremo e eterno Rei Pelé.

Notamos quatro fatores presentes nos grandes gênios do futebol: inteligência, velocidade, habilidade, reflexos mais do que apurados. Basta observar algumas imagens, e percebe-se que esses referidos possuem esses atributos em generosa quantidade.

Quero provocar outro gênio, Ronaldinho Gaúcho, para que dispute com Neymar esse título de novo Rei do Futebol. A felicidade do Povo brasileiro, Ronaldinho, é vê-lo novamente inspirado (parece que Você está voltando a ficar). Neymar, esse já vive inspirado por natureza.

Vamos lembrar o GOL, na Vila Belmiro, no dia 17/10/2012: Na intermediária, do campo do adversário, Neymar, com o marcador às costas, dribla-o colocando a bola entre as pernas dele. Chega um segundo marcador, Neymar dá um corte para a esquerda, o adversário passa lotado de carrinho e se choca contra o outro que levou o drible entre as pernas. Neymar dá um tapa na bola e avança. Na entrada da grande área (perto do bico do lado esquerdo do ataque), dá um corte para a direita, balança o corpo à frente do zagueiro e mete a bola, de pé direito, no canto direito da meta: é golaço.

Já vi muitos atacantes: Reinaldo (do Atlético Mineiro), Careca, Dener, Romário, Ronaldo Fenômeno. Neymar, pelo que já fez e pelo modo como fez, supera todos esses. Ele ainda vai atingir o ápice do seu futebol. E quando atingir, todos verão que estou certo. Saudemos nosso Rei Neymar.
   João Lover 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A planta, o orvalho e a vida

A vida não é o que imaginamos.
A vida é simplesmente a vida...
A vida é o que sentimos.

Sentimos o que é a vida?...

O verde brilhante da folha molhada:
esperança em Luz cheia de vida.

Uma chuva... orvalho escorre lindo,
lembra lágrimas de um menino
na pureza de um sentimento,
amolecendo corações que, em tempo,
podem agir para vê-lo sorrindo.

Verde, vida, semente, flor, fruto...
um exemplo vivo e absoluto
uma planta, a todo instante, realiza:
faz o bem, resoluta em seu reduto,
mesmo a uma 'humanidade' nociva.

   João Lover (2002)

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Dica da Língua Portuguesa nº 10: Verbo OBEDECER


Manchete do site MSN (aquele quando a gente sai do Hotmail), contida no link Giro das Famosidades. Vejamos: Justiça obriga Paula Fernandes a obedecer gravadora de Leonardo.

Alguns detalhes técnicos: 1. sujeito: Justiça; 2. no predicado, primeiro vem a regência do verbo obrigar, cujo objeto direto é Paula Fernandes, e temos uma oração substantiva objetiva indireta reduzida de infinitivo, que funciona como objeto indireto do verbo obrigar, iniciada pelo verbo obedecer antecedido da proposição a exigida pelo verbo obrigar (observe: a obedecer gravadora de Leonardo).

Verifica-se que há erro de regência, pois o verbo obedecer é transitivo indireto e rege a preposição a. Então, a manchete gramaticalmente correta seria: Justiça obriga Paula Fernandes a obedecer à gravadora de Leonardo. Nota-se que aparece o acento grave indicador da crase. Existe a contração entre a preposição "a" exigida pelo verbo obedecer e o artigo "a" admitido pela palavra gravadora.

domingo, 23 de setembro de 2012

Floresta selvagem

Vejo esse jeito que tens
e penso em mais de cem
coisas para fazer:
uma vontade de morder,
outra de abraçar...

Por dentro, um gritar
como se fosse infinito,
um querer destemido,
e se passa a sonhar.

Imagina-se a lua
na floresta selvagem,
e Você toda nua,
a mais bela imagem.

Teu olhar uma flecha,
a volúpia e o fogo,
apetite de lobo
na carne em festa.

Teu quê de enigmático
exerce um poder,
cria mais um lunático
pra sentir teu prazer.
  João Lover (23/9/2012)

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Ponto de fuga

Depois que o tempo passa,
aquilo perde a graça
como "a mesma praça,
o mesmo banco, 
as mesmas flores,
o mesmo jardim",
levando o encanto.
Os fatores, enfim,
traduzem as mudanças;
solta-se o elo, as alianças.

E o imaginário
não é mais do relicário:
apenas, uma lembrança.

Perde-se o jeito 
e também o sentido,
no peito, o gás comprimido
some agora desfeito...

Um irônico sorriso
faz no silêncio seu guiso,
no caminho da liberdade,
sem pensar em disputa,
e ocorre a fuga
do que não é verdade.
  João Lover (19/09/12)

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Escrever e Língua Portuguesa


Aproveitando algumas colocações dos amigos Antônio Saracura (Escritor sergipano) e Valter Ferreira (Palmarense, Prof. de História), vou fazer alguns comentários sobre essa coisa de escrever.

Vem a pergunta: qual a essência do escrito? Tudo começa de uma ideia. “De onde ela vem”? Eclode conduzida pelo “poder da criação”. Existe o canal, a forma e o conteúdo: três coisas inseparáveis para que o pensamento se concretize fisicamente e possa chegar ao público, e, então, ocorre a multiplicidade, e nós, autores, não somos mais donos da obra. Para escrever, não há segredo nem fórmula: tudo vem do conhecimento e da mente do homem (quanto mais conhecimento e mais inteligência, maior a possibilidade de uma mensagem “eficaz”).

O cerne do texto não é a correção gramatical. O importante é aquilo que o escrito diz. E não se deve esquecer de que existe o código, a mensagem, o emissor e o receptor. Quem trabalha com as letras deve-se preocupar com a perfeição e com o detalhe (fatores da Arte). Como diria Fernando Sabino: “Não há nada mais aliviante do que já ter escrito.”

Vejamos: código, canal, mensagem, emissor, receptor, forma e conteúdo. Partindo do entendimento de que o escritor não escreve só para ele mesmo, esse artífice passa a ser uma referência, por isso é fundamental não “errar”, gramaticalmente falando, porque alguém se vai guiar pelo escritor. Nesse caso, até a ortografia é importante. No entanto, a grande questão do escrever se chama coerência: diz respeito à lógica de sentido do texto. Vou citar uma pequena questão regencial: “Amigo, ela arrasou contido”. Veja, se ela arrasou o amigo, deve ser dito de outra maneira: “Amigo, ela te arrasou.”; ou “Amigo, ela arrasou você.” Se dissermos arrasou “contigo” ou “com você”, tecnicamente, estamos dizendo que fizeram o arraso juntos.

Se alguém está tecnicamente preparado em relação à Língua Portuguesa, vai refletir uma melhor mensagem e um aperfeiçoamento da forma em alguns sentidos, há, então, a possibilidade de bons conteúdos.

Existem ainda duas coisas fundamentais: o escritor ser pronto, saber o que escreve; a outra é o leitor está preparado para conhecer o escrito em "toda" sua possibilidade. Nisso tudo, não podemos esquecer que o importante é fazer. Sucesso, apenas uma consequência. A criação, inexplicável. A perfeição, a infinita busca. O que era desconhecido pode ser um encanto inesquecível provocado pelo que você foi capaz de dizer.