Revisão de texto Coerência e coesão Escrever: técnica e arte

Revisão de texto Coerência e coesão Escrever: técnica e arte
Livro imprescindível aos(às) profissionais do texto: escritor(a), revisor(a), professor(a), jornalista, jurista...

sexta-feira, 21 de março de 2014

Ao maior de todos os pilotos – Ayrton Senna

Senna!

Os ídolos não deveriam morrer.
São iluminados,
nos deixam acostumados:
simbolizam o que chamamos vencer.

Propiciam incompensáveis emoções.
Queremo-los para sempre,
pois realizam direta e indiretamente
sonhos e ilusões...
Fazem delirar os corações,
inspiram gerações.

Tu és o melhor!
Infinitivamente sem limites,
em milésimos de segundo,
anos-luzes de emoção,
representas determinação e vitória,
triunfante trajetória,
inigualável proporção,
belíssima página da história,
sinônimo de glória,
orgulho e amor de uma nação.

Na verdade, não morreste.
Fica viva a lição...
E, de súbito, sem explicação,
Tu que me fizeste tão feliz
foste embora nesse "triz",
e, entristeceu meu coração...

 João Lover, poema do livro "Infinito Prazer" (1995)

O Rei da chuva: a chuva fazia festa; olhar sereno, de homem que concentra sentimento, caráter e bravura;
toda nobreza e emoção de um campeão na mais suprema acepção da palavra. Esse é Ayrton Senna: ídolo mundial e de todos nós; um dos maiores orgulhos da Nação brasileira. Hoje, ele faria 54 anos de idade.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

DISCURSO DE FORMATURA DO CURSO DE LETRAS DA FAMASUL SEMESTRE – 2, ANO DE 1998 (revisado em 21/02/2014)

Ciências Humanas, Ciência das Letras. Até que ponto somos humanos? Para que somos letrados? É preciso refletir e se dar conta das palavras do Poeta Djavan: “Aprendi o quanto é importante fazer.” E, quando você fizer, diga: eu fiz; bem-aventurados os que têm coragem, ousadia e fé.
    Inicialmente, ainda pequenos, começamos pelo abecedário, depois unimos as letras, fomos juntando as sílabas, formamos as palavras, construímos as frases, fizemos os textos. Esses mesmos textos são as Luzes, as ideias aflorando, eclodindo para uma dimensão externa, interligada a nós, e tudo se globaliza, integraliza-se nesse jogo sintático-semântico, do qual não podemos fugir.
    Em 1995, viemos à Famasul iniciar o Curso de Letras; pessoas de diferentes cidades  se encontram em primeiro período para seguirem juntas o caminho do terceiro grau (o curso superior). Fomos inexoravelmente conhecendo, trabalhando, sofrendo, sorrindo com todos os parâmetros disciplinares em que fomos envolvidos. Vivenciamos disciplinas básicas, como as gramaticais de Língua Portuguesa, ou alguma outra coadjuvante, mas todas, indubitavelmente, importantes e por que não dizer necessárias.
    As técnicas gramaticais de Língua Portuguesa são imprescindíveis, pois o idioma Português nos acompanha durante a vida inteira, e devemos empregar a norma culta nas situações adequadas com habilidade; não que o padrão da língua seja a essência do discurso para quem fala, ou escreve. Um pergunta: devemos ficar presos a esse padrão? Temos a obrigação de conhecê-lo e, a partir daí, seguir viagem no universo infinito da linguagem e na dinâmica de suas variantes. Sobre dificuldades em aprender a Língua Portuguesa, diria que a Gramática tem como base a lógica, e, por falar em lógica, lógico que não é fácil, se é fácil, não tem valor; portanto, um dos nossos livros de cabeceira, necessariamente, deve ser a GRAMÁTICA NORMATIVA DA LÍNGUA PORTUGUESA.
    O Curso de Letras ainda nos conduz ao aprofundamento no campo da Literatura. Penetramos nos entrelinhas dos poetas, filósofos, escritores, enfim, homens e mulheres que fazem da palavra arte. Pessoas de um cosmo transcendental, iluminando a gente, trazendo-nos o real e a fantasia de uma maneira diferente, magnífica, espetacular, bela, fascinante, estonteante, alucinante etc. Aliterei (colidi) e rimei como poeta. Não devia, segundo a técnica de redação, podemos tudo, mas não esqueçamos que é preciso entender o sistema, a fim de que possamos usá-lo da melhor maneira possível, criando, inovando, formando o nosso próprio sistema.
    Junto a essas frações significativas, enveredamos nas trilhas das disciplinas: Latim (a língua mestra), vinda  de raízes do ramo linguístico Indo-Europeu – grupo itálico; Linguística com seus signos, significantes e significados; História da Língua Portuguesa; Filosofia; Sociologia; Teoria da Literatura; Didática; Estrutura; Técnica de Redação; Metodologia Científica; Psicologia; e também outro idioma – a Língua Inglesa, hoje, é essencial o seu conhecimento, pois é a língua que está comandando o mundo contemporâneo. Não devemos esquecer nossas origens, mas, atualmente, saber Inglês torna-se necessidade precípua. As disciplinas de Prática de Ensino, talvez chatas, no que diz respeito ao material exigido, são fundamentais para a aquisição de confiança no desempenho do futuro profissional do ensino.
    Aqui, na Famasul, convivemos 4 anos, bem vividos, nossa turma, bastante participativa e, colocando a modéstia de lado, nós temos valores! Daqui, eu posso vê-los claramente. Alunos que realmente queriam estudar, desejavam conhecimento, buscamos isso a todo instante e estamos premiados. Conheci de perto aqueles mais aproximados: o que me faz, hoje, feliz e triste ao mesmo tempo; outros não tão próximos, mas talvez haja outra oportunidade. E como diria Milton Nascimento e Fernando Brant: “Qualquer dia, amigo, a gente se encontra.” Quem sabe?
    Trabalhamos com alguns excelentes professores, outros não exatamente espetaculares e outros que precisam fazer a coisa de maneira diferente. Nunca deixo de falar o que penso, pois não tenho medo. O nosso curso de Letras vai de regular para bom... É preciso direcionar o prisma para um ângulo diverso, para que se possa dar um salto significativo em relação ao ensino superior nesta Faculdade. Que se mude a filosofia de alguns professores e que a administração faça a seguinte pergunta a si mesma: o que devo oferecer ao aluno da Famasul para que ele consiga melhor se apropriar dos conteúdos e venha suscitar mudanças significativas para melhorar a sociedade? Respondida a pergunta, é só fazer, executar, pôr em prática, dar andamento, viabilizar etc.
    A conclusão do Curso de Letras é um somatório incomensurável em nosso currículo. Aprimoramos as técnicas gramaticais, a nossa interpretação, nossa expressão e, consequentemente, temos uma melhor opinião e uma visão crítica mais contundente. Agora, podemos agir, e que sejamos os agentes catalisadores da tão sonhada, utópica modificação.
    O agradecimento a Deus, pela oportunidade. O HOMEM TEM COMO PRÊMIO A EMOÇÃO, SUA CREDENCIAL É A SUA OBRA; E, UM DIA, TODOS PASSAM A SER COMO NO COMEÇO: NADA, PORTANTO, APROVEITE O SEU TEMPO, EMOCIONE-SE E FAÇA ALGUMA COISA!
    Agradecimento aos meus colegas de turma, sem eles, nós não seríamos nós. Agradecimento aos nossos professores, os mestres, aqueles que, na luta do dia a dia, nos esclareciam e nos traziam o conhecimento dentro dos sistemas disciplinares. Ficam, com alguns, fortes laços de amizade!
    Estamos agora habilitados e temos uma responsabilidade, não somente com a nossa vida, em mercado de trabalho etc., mas com a nação brasileira, principalmente, com a parte que estiver mais perto de nós (lugares e pessoas). Vamos tomar posição e agir, fazer luzir de todas as formas uma metamorfose, vamos criar um mundo novo, onde se possa viver feliz. Se pudermos dar essa contribuição, aí está nosso valor. Fazendo coisas assim, nossa vida sempre terá sentido. Vai ser sempre bom lembrar que um dia estivemos aqui!
        João Ferreira da Silva  – Poeta João Lover, em 09/01/1999.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O prato da literatura e a ceia de Natal

       Toda pessoa sente (alguma vez) vontade de dizer o que pensa. Isso é como uma sobrevivência da alma, busca-se um atestado de utilidade da palavra proveniente do ser. Escrever é "fácil", saber o que se escreve é complexo, complicado. 
       Criar é algo inexplicável e difícil. Uma frase significativa (encantadora) é um Natal (celebrado com o leitor). Um literato (poeta) vai envolver-se com os seguintes ingredientes: forma e conteúdo, poema, poesia (luz, encanto, magia, alquimia...), lirismo, subjetividade, seres, metáforas, imagens, coisas, imaginação, sentidos, pensamento, conhecimento, inteligência, estilo, linguagem, Gramática, técnica, lógica, coerência, coesão, concisão, vocabulário, inspiração, ideia, solidão, prisão, liberdade, riso, dor, criação. Não esqueçamos que é essencial a coragem de fazer
       Agora, temos o prato da literatura, descrito acima. E, quem sabe, haja o sabor de um escrito universal, degustado como um Natal sem fim e sem fronteiras, uma semente que pode ser chamada de Arte, um pedaço da salvação deste mundo. Então, vamos cear e celebrar juntos com emoção... Feliz Natal!
            João Lover  (24/12/2013)

domingo, 24 de novembro de 2013

Sentir a mensagem...

Saber que sua mensagem chegou a alguém
é como acender uma Luz que pode servir
para alguma transformação, ou sensação...
É um bem que se fez: provocação de um sorriso,
ou de uma emoção, quem sabe, um apendizado
por conta daquele recado que o poeta escreveu.
Para o artista, isso causa vibração, 
impulso, motivação, talvez, um sentido...
encontro de sonho perdido, vida, renovação...
    João Lover  (24/11/2013, 7:52h)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A estrada

Caminhão não é um caminho grande,
é um veículo indo pelo caminho.
o percurso talvez seja imenso,
e o caminho é dum mesmo tamanho...

Sabe-se que a vida é curta,
e a meta, longínqua pra curto tempo.
Que a vida se curta...
certamente enquanto há tempo.

A sonhada felicidade
quase... dura tão pouco.
Com a pureza dos loucos,
não pode haver consciência,
mas sem os loucos não há pureza.

Há uma enorme certeza,
da qual duvida a ciência...
E pra que a paciência
se ora chega a tristeza.

E não existe esperteza
nesse nosso caminho;
o egoísta é sozinho,
mas dos outros precisa;
ilude um mar, uma brisa
nesse ignóbil interesse
pelas coisas erradas.
Se o amor acontecesse,
seria feliz a estrada.
    João Lover (2002)

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Risco II

A beleza tá no jeito,
a sedução, no olhar;
isso é um classificar:
subjetivo é o conceito.

Tudo é imaginário,
o sentir mais alto fala,
um tesão que se exala
para o destinatário...

Um encanto acontece,
o desejo impulsiona,
um quê que aprisiona,
e o ser já enlouquece.

A atração desmedida,
ação tímida ou atrevida,
busca-se um momento,
e se quer desaguar,
viver e sonhar
por um sentimento...

Ou manso, ou arisco,
sangue e coração...
sem pensar na razão,
corremos o risco...
   João Lover (12/09/2013)


sábado, 7 de setembro de 2013

Dica da Língua Portuguesa nº 16: GERUNDISMO

Frase da telefonista: “Amanhã, senhor, vamos estar encaminhando a sua mercadoria.”
                        
O que é o gerúndio?: uma das formas nominais do verbo. Quando utilizamos o verbo no gerúndio como peça básica de uma locução verbal, sabemos que denota uma ação se desenvolvendo no momento da fala e sem conclusão. Por exemplo: Eu agora estou escrevendo este texto. Nesse caso, o gerúndio é perfeitamente cabível. Outra situação em que podemos usá-lo: Neymar jogou encantando a todos (nota-se que o gerúndio expressa circunstância de modo).

Verifiquemos a lógica semântica da primeira frase: “Amanha, senhor, vamos estar encaminhado sua mercadoria.” – significa que, durante o dia seguinte todo, estará efetuando-se o encaminhamento da referida mercadoria; esse produto realmente vai deixar os funcionários da empresa fornecedora muito ocupados; e, não é possível saber se a mercadoria vai sair finalmente para chegar ao destinatário.

Sem mais delongas, evitemos o “gerundismo”. A telefonista poderia dizer:

Amanhã, senhor, encaminharemos sua mercadoria.

Amanhã, senhor, vamos encaminhar sua mercadoria.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Filme SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS: síntese

Sociedade dos Poetas Mortos – um espelho para a poetização

            Um filme reflexivo, suscitando no homem o esquadrinhamento de si e da vida, mostra o óbvio muitas vezes esquecido: tudo vai passar. É preciso aproveitar o dia, ou seja, os momentos. Uma das frases marcantes do filme: “Carpie diem.” (Aproveite o dia.). O professor Keating provoca a curiosidade dos alunos (jovens adolescentes) em relação à poesia, essência, indefinível, encantadora. Busca-se vivenciar uma “Sociedade de Poetas Mortos”, que faria renascer a fluência poética.

Um pouco da história

Um colégio de moldes tradicionais. Inicia-se o filme com a chegada dos alunos, todos começam a se conhecer. O diretor faz um discurso evidenciando o estabelecimento e apresenta o slogan: tradição, honra, disciplina, excelência; também é apresentado o novo professor de Literatura, o Sr. Keating.
Num primeiro contato com os alunos, o professor Keating (Oh! Capitão, meu Capitão) convida-os ao mural a observarem fotografias de antigos alunos. Lembra que todos aqueles já morreram e que possuíam sonhos, esperanças, hormônios etc., como os que ali estavam. Surge uma frase importante: “Carpie diem” (Aproveite o dia).
Na primeira aula, abre-se o livro na página da introdução (livro de J. E. Pritchard – PhD), o Professor pede que os rapazes leiam. Trata-se da medição do poema, segundo dois aspectos: perfeição e importância, um dos alunos lê: “... para se compreender um poema é preciso dominar as rimas, figuras de linguagem (...) é preciso saber como o objetivo do poema é expresso e qual a importância dele...”. E, por meio de um gráfico, pode-se medir o poema numa perpendicular, cuja linha vertical é a importância e a horizontal a perfeição. “Excremento”, diz o professor, os alunos tomam um impacto, e ele continua: “Vocês devem aprender a pensar por si, suas ideias poderão mudar o mundo (...) a raça humana está imbuída de paixão...”. Manda os alunos rasgarem todas as páginas da introdução do livro. Outras palavras do professor: “O poderoso jogo da vida continua e você pode contribuir com o verso."
No almoço, o Sr. Keating é, pelos seus métodos, repudiado por um irônico professor. Vejamos o final do diálogo, o outro diz: — Mostre-me um coração livre de sonhos tolos e lhe mostrarei um homem feliz. E Keating responde: Só nos sonhos o homem livre será.
Mais palavras, em sala de aula, do Capitão, meu Capitão: “Os poetas tentam sugar a essência da vida, a magia (...) somos enfraquecidos pelo tempo mais fortes na vontade (...) quando pensar que sabem algo vejam de outra maneira, libertem-se...” Subiu à mesa (bureau) e convidou os alunos a subirem também em suas carteiras escolares.
É descoberto o anuário da “Sociedade dos Poetas Mortos”, e se começa a vivenciar a nova Sociedade de Poetas Mortos. Os rapazes passam a se reunir na antiga caverna, exaltando a poesia...
Um aluno irreverente publica um artigo (pede garotas) no jornal do colégio; denuncia-se sarcasticamente e ele vai à palmatória, mas não é expulso do colégio. O Capitão, meu Capitão lhe diz: “Deve-se usar a ousadia com sabedoria.”
Uma situação de repressão: Neil, um dos rapazes da Sociedade, é reprimido pelo pai, que exige dele o abandono da peça de teatro em que iria participar. Neil conversa com o professor Keating. O professor fala que ele não deve representar, deve conversar com o pai e dizer o que realmente quer, argumentar em defesa da sua paixão.
Knox, outro pertencente à Sociedade, procura a garota Cris. Ela diz: “Você está louco, lê um poema e me entrega flores.”
Neil mente para o professor e atua na peça, não contava com a chegada inesperada de seu pai. A peça foi um sucesso, e seu talento do rapaz reconhecido, mesmo assim, o pai o repreende: afirma que vai tirar Neil do colégio (Welton) e colocá-lo num colégio militar.
Knox parece convencer Cris, assistiu à peça de teatro com ela e fez uns carinhos em sua mão.
Em casa, Neil não consegue dizer a seu pai o que sente. A mãe de Neil aparenta sentir muito e compreender o filho, mas é passiva. Durante a noite, Neil se mata com a arma do pai.
Todd Anderson, o mais inseguro, parecia ser o mais novo, ficou muito revoltado, colocando a culpa no pai de Neil.
Oh! Capitão, meu Capitão olha o velho livro e lê o seguinte trecho: “Fui a floresta porque queria sugar a essência da vida, eliminar tudo que não era vida... E não ao morrer, descobrir que eu não vivi.”
O diretor da Welton vai pôr a culpa em alguém, comenta o irreverente (Charlie). Charlie dá um murro no “dedo-duro”, que denunciou a “Sociedade dos Poetas Mortos”. Charlie, Nuwanda (o nome dele na Sociedade) foi expulso.
Knox é chamado à direção, depois é a vez de Todd, que é pressionado junto aos pais a assinar um documento que formaliza a saída do professor Keating do colégio.
Assumindo o lugar de Keating, o diretor manda abrir o livro de Pritchard, mas cadê a página da introdução? Quando ele pergunta o que é poesia, Keating entra na sala com a finalidade de pegar alguns pertences. Todd não resiste, sobe à carteira escolar, dizendo: “Oh! Capitão, meu Capitão, depois sobe Knox, depois Pitts, depois Meeks, outros também sobem, inclusive alguns que não faziam parte da Sociedade, dão as costas ao diretor, que fica simplesmente atordoado, não tinha como impedir aquela doce transgressão.
E Keating (Oh! Capitão, meu Capitão) encerra dizendo: “Obrigado, rapazes!”

Um filme simplesmente fascinante, uma lição de vida e de poesia

            Estrelado pelo ator Robin Willians, roteiro de Tom Schulman, Direção de Peter Weir, Sociedade dos poetas mortos deixa-nos extasiados, mostra-nos o que é a vida e quem somos nós. É uma lição de liberdade. Outra coisa: se desistirmos do sonho, nossa vida pode virar uma tragédia, e a paixão é o combustível do sonho, inerente ao homem, e o sonho, o combustível da vida.
            Um enredo, aparentemente simples, abordado com genialidade. Prova que fazer cinema é, acima de tudo, contar uma boa história. O filme tem uma “pitadinha” de Arcadismo, no sentido de se buscar a natureza, ou seria Romantismo? Não importa. E o rapaz, talvez, o mais tímido, o mais inseguro, foi o grande Poeta do filme, porque ele foi todo coração.
            As personagens (os rapazes) vivenciam uma época preconceituosa, mais do que hoje, num regime de colégio altamente tradicional. Lembraram as virtudes e defeitos dos humanos. O filme passa-nos a mensagem da transgressão em busca do sonho, quebrando os padrões que aprisionam o homem.
            “A Sociedade dos Poetas Mortos Mais do que Vivos” grita: a Poesia não pode ser medida, e o homem precisa ter ideias, agir para mudar o mundo, tentar ser verdadeiro, viver estes poucos momentos chamados de vida, e que o homem parece esquecer. Subir (na carteira escolar, por exemplo) pode significar ter uma visão ampla, a visão dos pássaros, tentar uma percepção diferente. Keating nos remete ao filósofo Sócrates: “Tudo que sei é que nada sei”, exatamente no momento em que diz: “Quando pensares saber alguma coisa, tente ver de outra maneira.” E chama os alunos a ter essa mesma visão, e assim as visões estão unidas em diferentes corações e mentes para agir em busca do sonho.
            Uma frase nos leva a pensar... fiquemos com ela:

“Fui à floresta porque queria sugar a essência da vida,
eliminar tudo que não era vida...
E não ao morrer, descobrir que eu não vivi.”

Síntese do filme Sociedade dos Poetas Mortos, João Lover, 2003.