Revisão de texto Coerência e coesão Escrever: técnica e arte

Revisão de texto Coerência e coesão Escrever: técnica e arte
Livro imprescindível aos(às) profissionais do texto: escritor(a), revisor(a), professor(a), jornalista, jurista...

terça-feira, 9 de maio de 2023

Bem-te-vis do meio-dia

Nós e os bem-te-vis.
Coisa que não se diz
com o tanto que se sente.


Guardada vive a semente
no relicário do coração,
a mais sublime emoção
em evolução crescente.

E de sol é o momento,
consumo de alimento...
Um vibrado na alma,
olhar triste, esperança,
um ser que se acalma,
revigorando lembrança.

É da vida uma alegria
o prazer da amizade.
E tanta velocidade
no inesquecível dia.
O encontro irradia
algo de eternidade.

        João Lover
                9/5/2023

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Dia Mundial da Língua Portuguesa: 5 de maio – LÍNGUA SEDUTORA

 A sedução da Flor do Lácio


Em todos os signos, bela,

Cinderela mais encantadora.

Inculta-amada pelo Poeta;

seus morfemas: uma oferta

em dimensão assustadora...

 

Assim tão rica e tão impura,

exorbitância de estrutura

com os preceitos da lógica,

diversas linguagens libera;

e a norma culta impera

com a questão pedagógica.

 

A intimidade com o padrão

favorece o que se produz...

Use a chave da expressão,

e brota da palavra uma luz,

e solte a língua com tesão:

sua ferramenta de condão

que simplesmente seduz...

        João Lover

                  20/02/2017 

segunda-feira, 20 de março de 2023

A arma e a força: homenagem ao Dia a Poesia, 21 de março


Poesia: alma, navalha, carne
e tudo o que já arme

uma suprema Luz infinita,
ferina, muito tranquila
feito a guerra e a Paz.

Jorra um sangue voraz
como o desejo do amor;
escorre o riso e a dor
no corpo e no espírito,
vem real, "sensinvisível",

sendo silêncio e grito
da emoção: vida e morte,
fazendo o sonho possível
e o poeta mais forte.
  João Lover

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Opinião de Antônio FJ Saracura sobre, com ênfase ao novo livro Revisão de texto Coerência e coesão Escrever: técnica e arte

REVISÃO DE TEXTO COERÊNCIA E COESÃO ESCREVER: TÉCNICA E ARTE, João Lover, J Andrade, 452 páginas, 2021, Isbn 978-65-89836-54-4

O poeta João Lover (quatro livros de poemas publicados) quando cisma em retornar, em ir, em estacar, não há quem empate. Por uma vírgula, gasta uma manhã inteira debatendo. E é melhor o contendor ceder, pois passarão os dois encangados o resto da vida, morrerão secos, e João não cederá um milímetro. No que João diz, há substância e base sólida. As armas que carrega são azeitadas. E suas artes são a literatura e a música, que, em regra, só fazem o bem, no que João é expert. Ele age especialmente na origem do fato (produção da obra), seja romance, seja canção... Acompanha as produções literárias como se fossem suas crias, vibrando com o encantamento que propiciam e com o sucesso que auferem.

João conhece o segredo da volta do anzol, do veneno que habita a ponta afiada, do zunido da linha cortando o ar, da tentação irresistível da isca bailando no espelho da água. Uma palavra mal colocada pode transformar em desastre a pescaria. Há um jeito e um local certo para a palavra entrar na frase, para que o anzol fisgue o peixe vivo, não o sapato velho jogado. E, algumas vezes, o escritor se passa, eu me passo.

Joao Lover é meu parceiro desde 2013, quando foi meu cúmplice silencioso na publicação do belo (gosto demais) “Tambores da Terra Vermelha”.

Entre brigas e tapas, temos juntos buscado o melhor jeito de dizer sem erro o verso que valha a pena ser lido e que mude o mundo. Nem sempre estamos em consenso. Muitas vezes, brigamos feio, mas não abro mão deste leitor prévio que revisa e critica o livro que invento publicar. E, sempre, arrufado pela última encrenca, João sorri cordial quando boto o novo original à sua frente. E como temi que refugasse implacável!

O revisor (João ou outro), para mim, é o leitor chato que incomoda agora, que precisa ser calado (quiçá, ele aplauda) quando o livro for lançado, que todos os escritores (iniciantes ou experientes) precisamos (deixe de orgulho vão!).

E João sabe dessa ciência que ele aprendeu com feroz e persistente empenho. Ele é dono da receita da família, sabe a reza forte que cura e que o rezador reza baixinho e com a voz engrolada para somente o Santo entender.

E João resolveu revelar em livro o segredo que manteve sob sete chaves até então. Acho que se percebeu insuficiente para dar conta de revisar a todos que surgem por aqui. Ou sei lá o que percebeu. Quem ganha é o escritor de carta, de anúncio, de poemas, de romance, de um reles bilhetinho...

O livro saiu agora; e eu já tenho meu exemplar, que, tal qual o Aurélio, será meu guia de todo dia nas minhas escritas. E se chama "Revisão de Texto... Coerência e Coesão... Escrever: Técnica e arte... a senha, a chave e o segredo". Um nome tão comprido que já o apelidei carinhosamente de “Revisão de Textos”.

São 452 páginas de lições essenciais ao artista que lida com palavras. Além de ensinar a técnica, o livro está além das gramáticas e dos manuais. Não dispensada a responsabilidade do autor, que é o celebrante da missa. Por mais que o sacristão ou o coroinha façam, o vigário precisa estar de olho para que a celebração não vire ode a Odin.

O livro está dividido em três grandes segmentos: Livros 1, 2 e 3.

O livro 1, “Revisão do texto”, tem 226 páginas e trata da gramática, dos equívocos, apresentam-se exemplos com comentários que elucidam, com citações que marcam... Discute-se a importância de verbos, de substantivos, a necessidade ou não de adjetivos, e muito mais...

O livro 2, “Coerência e Coesão”, tem 94 páginas. Mostra como escapar da escrita dispersiva, enfadonha, que pode fazer o leitor abandonar o livro. Ensina que é essencial boas conexões e não contradições entre os segmentos frasais.

O livro 3, “Escrever: técnica e arte” tem 99 páginas, que discutem leitura, pensar, estilo... inspiração, criação, ritmo, sonoridade e muito mais...

“Revisão de Textos” está ao alcance da mão, a me socorrer no dia a dia arriscado de um autor que busca escrever belos livros. Também deve estar à mão de todo escritor, estudioso, revisor, professor, jornalista, jurista etc... Pois somos todos navegantes no mesmo mar.

(Antônio FJ Saracura, Aracaju 21 de junho de 2022, revisado em 21 de janeiro de 2023).

Nota: Peça no instagram "poetajoãolover": https://instagram.com/poetajoaolover?igshid=MWI4MTIyMDE=

Encontre no Amazon:

https://www.amazon.com.br/Revis%C3%A3o-texto-Coer%C3%AAncia-coes%C3%A3o-Escrever/dp/658983654X/ref=sr_1_11?crid=3QOR6LSVTM4CQ&keywords=revis%C3%A3o+de+texto&qid=1674320617&sprefix=REvis%C3%A3o+de%2Caps%2C291&sr=8-11

 

terça-feira, 2 de agosto de 2022

Opinião de Cleiber Vieira

O Bruxo da Palavra: Avatar

Preocupado com o próximo e profundo conhecedor do que faz, ele tem um discurso persuasivo. É um admirador da Contracultura: movimento que surgiu em Nova Iorque nos anos 50 com o rock, o jazz e o punk. No Brasil, ocorreu nos anos 60 e 70, com o movimento bossa-novista, de João Gilberto, Roberto Menescal, Johnny Alf, Tom Jobim, Carlos Lira, Ronaldo Bôscoli, Vinicius de Moraes, Toquinho… influenciando Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Gal Costa, os Mutantes e tantos outros.

João Lover tem sempre uma palavra de conforto, tem prazer em fazer amigos, está à frente dos acontecimentos culturais e vai às últimas consequências quando acredita ter direito ou mérito para dizer o que diz. Tem capacidade de fazer projetos ganharem sentido e força para a elaboração de algo produtivo. Seu nome artístico lhe sugere uma postura altiva. Ele inspira segurança e domínio sobre o que professa e constrói. Seu discurso está acima do senso comum! Seu nome é João Ferreira da Silva, conhecido como João Lover, apaixonado e especialista em língua portuguesa. Para João Lover, o idioma pátrio é, como era para Guimarães Rosa, a única porta que pode levar-nos ao entendimento de nosso povo. A língua portuguesa permeia seus sonhos. Classifico-o como arqueólogo da língua-mãe.

João Lover é pernambucano de Palmares, poeta com quatro livros publicados. É, também, professor, compositor e servidor do poder Judiciário Federal (TRE-SE). É graduado em Letras pela Famasul – PE e pós-graduado em Ensino da Língua Portuguesa pela Universidade Cândido Mendes – RJ. É membro da Academia Palmarense de Letras – Aple.

Pois bem, na roda de amigos, na Escariz da Rua Jorge Amado, formada por mim, Dr. Francisco Rollemberg, o artista plástico e poeta Ismael Pereira e pelo jovem estudante Jean Matheus (filho de João Lover), o poeta-escritor, violonista e revisor de texto João Lover nos brindou com uma aula sobre alguns segredos da língua portuguesa, falando do seu mais recente livro Revisão de texto Coerência e coesão Escrever: técnica e arte, que será lançado no dia 24 do mês em curso, às 17h30, no Museu da Gente Sergipana. Nessa obra, o poeta-escritor nos oferece a “chave” para a abertura de “câmaras secretas” da nossa língua, bem como o segredo como fonte de conhecimento. João nos enfeitiçou com sua mágica apresentação usando do sortilégio linguístico para nos encantar indicando como podemos utilizar os elementos textuais e nos comunicar melhor: discorreu sobre ambiguidades e como evitá-las, sobre flexões e concordâncias verbais, gerundismos, cacofonias, redundâncias…

Este cidadão, professor e poeta, escritor e revisor de texto, classifico, no bom sentido, como Bruxo da Palavra.

Cleiber Vieira, presidente da Associação Sergipana de Imprensa

Publicado em 12 de maio de 2022.

Por Jornal Do Dia, Aracaju-SE, coluna Opinião.

domingo, 26 de junho de 2022

80 Anos de Gilberto Gil

Você, Gilberto Gil, é um gênio que me influencia, do qual tenho a sorte de ser contemporâneo. Gil, vai do coração uma tradução de você. Um abraço grande! Feliz Aniversário!



quarta-feira, 1 de junho de 2022

O porquê substantivo, em discussão

Sabemos que os determinantes do substantivo são o artigo, o adjetivo, o pronome e o numeral. Essas palavras podem substantivar qualquer outra, nesse caso, antecedem o vocábulo determinado. Exemplo: Diga-me o porquê de sua decisão (a palavra “porquê” está determinada pelo artigo “o”). Mas o que define a substantivação NÃO é a palavra estar antecedida pelo determinante. A substantivação é indicada pela função sintática do vocábulo. Portando os teóricos estão equivocados quando afirmam que o “porquê” substantivo sempre surge precedido de determinante. Veremos a seguir teóricos em contradição com frases as quais acompanham os próprios exemplos. Primeiro relembremos as funções sintáticas dos substantivos: sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, complemento nominal, aposto e agente da passiva (essas palavras apresentam-se como núcleo do termo). Vejamos exemplos extraídos de frases abaixo constantes nas gramáticas dos teóricos citados a seguir e exemplos verificados no poema Os porquês... (de João Lover):

1. Porquê é substantivo; significa o motivo, a razão. (José De Nicola & Ulisses Infante)

2. Note, pelo último exemplo, que a forma porquê pode ser empregada no plural. (Mauro Ferreira)

3. O motivo, chamam-no de porquê. (João Lover)

4. O enigma é porquê. (João Lover)

5. A palavra porquê nos provoca. (João Lover)

Nos exemplos acima, observa-se que nenhum dos porquês tem determinante anteposto. Função sintática pela numeração: 1. sujeito; 2. aposto; 3. predicativo; 4. predicativo; e 5. aposto.

Nas tabelas abaixo, declarações e exemplos verificados nas gramáticas:

José De Nicola & Ulisses Infante

Porquê é substantivo; significa o motivo, a razão. Vem sempre acompanhado de palavra que o caracteriza (artigo, pronome, adjetivo, numeral):

Deve haver um porquê convincente para tal comportamento.

(José De Nicola & Ulisses Infante, Gramática Contemporânea da língua portuguesa, São Paulo, Scipione, 1997, p. 414)


Mauro Ferreira

Porquê

Essa forma é empregada com o significado aproximado de razão/motivo. É sempre precedida de artigo ou pronome. Exemplos:

Ninguém sabia o porquê da demissão do gerente.

Não houve um porquê específico para ele abandonar o projeto.

Eles nos traíram, mas jamais saberemos o porquê.

Desconfiado, ele nos interrogou com muitos porquês.

Note, pelo último exemplo, que a forma porquê pode ser empregada no plural.

(Mauro Ferreira, Aprender e praticar gramática, São Paulo, FTD, 2007, p. 42)


Faraco & Moura

— Não me interessa o porquê de sua ausência.

Porquê é um substantivo. Equivale a causa, motivo, razão.

Note que o artigo precede o porquê, neste caso.

(Faraco & Moura, Gramática, São Paulo, Ática, 2000, p. 100)


Leila Luar Sarmento

Porquê         

Emprega-se como substantivo, precedido de artigo ou pronome. Equivalente a motivo, causa, razão:

Ignoro o porquê de sua partida.

A ministra mencionou outro porquê da mudança de horário. 

(Leila Luar Sarmento, Gramática em textos, São Paulo, Moderna, 2005, p. 73)


Pasquale & Ulisses

A forma porquê representa um substantivo. Significa “causa”, “razão”, “motivo” e normalmente surge acompanhada de palavra determinante (artigo, por exemplo). Como é um substantivo pode ser pluralizado sem qualquer problema:

Dê-me ao menos um porquê para sua atitude.

Não é fácil encontrar o porquê de toda essa confusão.

Creio que os verdadeiros porquês mais uma vez não vieram à luz.

(Pasquale & Ulisses, Gramática da língua portuguesa, São Paulo, Scipione, 2003, p. 530)


Luiz Antonio Sacconi

A conjunção aparece, às vezes, substantivada ou como sinônima de motivo, razão; nesse caso recebe acento. Ex.:

Aprendemos um porquê, podemos aprender todos os porquês.

Ninguém sabe o porquê de ela ter feito isso.

(Luiz Antonio Sacconi, Nossa gramática: teoria e prática, São Paulo, Atual, 1994, p. 47)

Nota-se que as afirmativas coerentes são a de Pasquale & Ulisses e a de Sacconi.

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Soneto dedicado a Djavan

         

         Djavan

 

Imensa a produção poética, 

coisas do sentir ele traduz, 

criador de melodias magnéticas

vai jorrando da palavra uma Luz. 


O vate Djavan é um navio 

a viajar distribuindo emoção

a canção nos causando arrepio

despetalando-se em sedução. 


Com a arte, lança o raio bendito, 

solta a voz de supremo grito 

e invade os corações alumbrando. 


E vibramos do zoom ao infinito, 

e nos tornamos de paixão o oceano 

e apostamos que amar é o sentido.


        João Lover

                16/5/2022