Aqui, o meu pensamento... quem sabe, o nosso. Vamos juntos vivenciar Poesia. Se passeares neste Blog, certamente, vais encontrar algo que se identifica contigo. Apresento, ainda, Dicas da Língua Portuguesa, comentários e crônicas.
terça-feira, 9 de maio de 2023
Bem-te-vis do meio-dia
Nós e os bem-te-vis.
sexta-feira, 5 de maio de 2023
Dia Mundial da Língua Portuguesa: 5 de maio – LÍNGUA SEDUTORA
A sedução da Flor do Lácio
Em todos os signos, bela,
Cinderela mais encantadora.
Inculta-amada pelo Poeta;
seus morfemas: uma oferta
em dimensão assustadora...
Assim tão rica e tão impura,
exorbitância de estrutura
com os preceitos da lógica,
diversas linguagens libera;
e a norma culta impera
com a questão pedagógica.
A intimidade com o padrão
favorece o que se produz...
Use a chave da expressão,
e brota da palavra uma luz,
e solte a língua com tesão:
sua ferramenta de condão
que simplesmente seduz...
João Lover
20/02/2017
segunda-feira, 20 de março de 2023
A arma e a força: homenagem ao Dia a Poesia, 21 de março
uma suprema Luz infinita,
ferina, muito tranquila
feito a guerra e a Paz.
Jorra um sangue voraz
como o desejo do amor;
escorre o riso e a dor
no corpo e no espírito,
vem real, "sensinvisível",
sendo silêncio e grito
da emoção: vida e morte,
fazendo o sonho possível
e o poeta mais forte.
João Lover
quarta-feira, 25 de janeiro de 2023
Opinião de Antônio FJ Saracura sobre, com ênfase ao novo livro Revisão de texto Coerência e coesão Escrever: técnica e arte
REVISÃO DE TEXTO COERÊNCIA E COESÃO ESCREVER: TÉCNICA E ARTE, João Lover, J Andrade, 452 páginas, 2021, Isbn 978-65-89836-54-4
O poeta João Lover (quatro livros de poemas publicados) quando
cisma em retornar, em ir, em estacar, não há quem empate. Por uma vírgula,
gasta uma manhã inteira debatendo. E é melhor o contendor ceder, pois passarão
os dois encangados o resto da vida, morrerão secos, e João não cederá um milímetro.
No que João diz, há substância e base sólida. As armas que carrega são
azeitadas. E suas artes são a literatura e a música, que, em regra, só fazem o
bem, no que João é expert. Ele age especialmente na origem do fato (produção da
obra), seja romance, seja canção... Acompanha as produções literárias como se
fossem suas crias, vibrando com o encantamento que propiciam e com o sucesso
que auferem.
João conhece o segredo da volta do anzol, do veneno que habita
a ponta afiada, do zunido da linha cortando o ar, da tentação irresistível da
isca bailando no espelho da água. Uma palavra mal colocada pode transformar em
desastre a pescaria. Há um jeito e um local certo para a palavra entrar na
frase, para que o anzol fisgue o peixe vivo, não o sapato velho jogado. E, algumas
vezes, o escritor se passa, eu me passo.
Joao Lover é meu parceiro desde 2013, quando foi meu cúmplice
silencioso na publicação do belo (gosto demais) “Tambores da Terra Vermelha”.
Entre brigas e tapas, temos juntos buscado o melhor jeito de
dizer sem erro o verso que valha a pena ser lido e que mude o mundo. Nem sempre
estamos em consenso. Muitas vezes, brigamos feio, mas não abro mão deste leitor
prévio que revisa e critica o livro que invento publicar. E, sempre, arrufado
pela última encrenca, João sorri cordial quando boto o novo original à sua
frente. E como temi que refugasse implacável!
O revisor (João ou outro), para mim, é o leitor chato que
incomoda agora, que precisa ser calado (quiçá, ele aplauda) quando o livro for
lançado, que todos os escritores (iniciantes ou experientes) precisamos (deixe
de orgulho vão!).
E João sabe dessa ciência que ele aprendeu com feroz e
persistente empenho. Ele é dono da receita da família, sabe a reza forte que
cura e que o rezador reza baixinho e com a voz engrolada para somente o Santo
entender.
E João resolveu revelar em livro o segredo que manteve sob
sete chaves até então. Acho que se percebeu insuficiente para dar conta de revisar
a todos que surgem por aqui. Ou sei lá o que percebeu. Quem ganha é o escritor
de carta, de anúncio, de poemas, de romance, de um reles bilhetinho...
O livro saiu agora; e eu já tenho meu exemplar, que, tal qual o Aurélio, será meu guia de todo dia nas minhas escritas. E se chama "Revisão de Texto... Coerência e Coesão... Escrever: Técnica e arte... a senha, a chave e o segredo". Um nome tão comprido que já o apelidei carinhosamente de “Revisão de Textos”.
São 452 páginas de lições essenciais ao artista que lida com
palavras. Além de ensinar a técnica, o livro está além das gramáticas e dos manuais.
Não dispensada a responsabilidade do autor, que é o celebrante da missa. Por
mais que o sacristão ou o coroinha façam, o vigário precisa estar de olho para
que a celebração não vire ode a Odin.
O livro está dividido em três grandes segmentos: Livros 1, 2 e
3.
O livro 1, “Revisão do texto”, tem 226 páginas e trata da
gramática, dos equívocos, apresentam-se exemplos com comentários que elucidam, com
citações que marcam... Discute-se a importância de verbos, de substantivos, a necessidade
ou não de adjetivos, e muito mais...
O livro 2, “Coerência e Coesão”, tem 94 páginas. Mostra como
escapar da escrita dispersiva, enfadonha, que pode fazer o leitor abandonar o
livro. Ensina que é essencial boas conexões e não contradições entre os
segmentos frasais.
O livro 3, “Escrever: técnica e arte” tem 99 páginas, que discutem
leitura, pensar, estilo... inspiração, criação, ritmo, sonoridade e muito
mais...
“Revisão de Textos” está ao alcance da mão, a me socorrer no
dia a dia arriscado de um autor que busca escrever belos livros. Também deve
estar à mão de todo escritor, estudioso, revisor, professor, jornalista,
jurista etc... Pois somos todos navegantes no mesmo mar.
(Antônio FJ Saracura, Aracaju 21 de junho de 2022, revisado em
21 de janeiro de 2023).
Nota: Peça no instagram "poetajoãolover": https://instagram.com/poetajoaolover?igshid=MWI4MTIyMDE=
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terça-feira, 2 de agosto de 2022
Opinião de Cleiber Vieira
O Bruxo da Palavra: Avatar
Preocupado com o próximo e profundo conhecedor do que faz, ele tem um discurso persuasivo. É um admirador da Contracultura: movimento que surgiu em Nova Iorque nos anos 50 com o rock, o jazz e o punk. No Brasil, ocorreu nos anos 60 e 70, com o movimento bossa-novista, de João Gilberto, Roberto Menescal, Johnny Alf, Tom Jobim, Carlos Lira, Ronaldo Bôscoli, Vinicius de Moraes, Toquinho… influenciando Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Gal Costa, os Mutantes e tantos outros.
João Lover tem sempre uma palavra de conforto, tem prazer em fazer amigos, está à frente dos acontecimentos culturais e vai às últimas consequências quando acredita ter direito ou mérito para dizer o que diz. Tem capacidade de fazer projetos ganharem sentido e força para a elaboração de algo produtivo. Seu nome artístico lhe sugere uma postura altiva. Ele inspira segurança e domínio sobre o que professa e constrói. Seu discurso está acima do senso comum! Seu nome é João Ferreira da Silva, conhecido como João Lover, apaixonado e especialista em língua portuguesa. Para João Lover, o idioma pátrio é, como era para Guimarães Rosa, a única porta que pode levar-nos ao entendimento de nosso povo. A língua portuguesa permeia seus sonhos. Classifico-o como arqueólogo da língua-mãe.
João Lover é pernambucano de Palmares, poeta com quatro livros publicados. É, também, professor, compositor e servidor do poder Judiciário Federal (TRE-SE). É graduado em Letras pela Famasul – PE e pós-graduado em Ensino da Língua Portuguesa pela Universidade Cândido Mendes – RJ. É membro da Academia Palmarense de Letras – Aple.
Pois bem, na roda de amigos, na Escariz da Rua Jorge Amado, formada por mim, Dr. Francisco Rollemberg, o artista plástico e poeta Ismael Pereira e pelo jovem estudante Jean Matheus (filho de João Lover), o poeta-escritor, violonista e revisor de texto João Lover nos brindou com uma aula sobre alguns segredos da língua portuguesa, falando do seu mais recente livro Revisão de texto Coerência e coesão Escrever: técnica e arte, que será lançado no dia 24 do mês em curso, às 17h30, no Museu da Gente Sergipana. Nessa obra, o poeta-escritor nos oferece a “chave” para a abertura de “câmaras secretas” da nossa língua, bem como o segredo como fonte de conhecimento. João nos enfeitiçou com sua mágica apresentação usando do sortilégio linguístico para nos encantar indicando como podemos utilizar os elementos textuais e nos comunicar melhor: discorreu sobre ambiguidades e como evitá-las, sobre flexões e concordâncias verbais, gerundismos, cacofonias, redundâncias…
Este cidadão, professor e poeta, escritor e revisor de texto, classifico, no bom sentido, como Bruxo da Palavra.
Cleiber Vieira, presidente da Associação Sergipana de Imprensa
Publicado em 12 de maio de 2022.
Por Jornal Do Dia, Aracaju-SE, coluna Opinião.
domingo, 26 de junho de 2022
80 Anos de Gilberto Gil
Você, Gilberto Gil, é um gênio que me influencia, do qual tenho a sorte de ser contemporâneo. Gil, vai do coração uma tradução de você. Um abraço grande! Feliz Aniversário!
quarta-feira, 1 de junho de 2022
O porquê substantivo, em discussão
Sabemos que os determinantes do substantivo são o artigo, o adjetivo, o pronome e o numeral. Essas palavras podem substantivar qualquer outra, nesse caso, antecedem o vocábulo determinado. Exemplo: Diga-me o porquê de sua decisão (a palavra “porquê” está determinada pelo artigo “o”). Mas o que define a substantivação NÃO é a palavra estar antecedida pelo determinante. A substantivação é indicada pela função sintática do vocábulo. Portando os teóricos estão equivocados quando afirmam que o “porquê” substantivo sempre surge precedido de determinante. Veremos a seguir teóricos em contradição com frases as quais acompanham os próprios exemplos. Primeiro relembremos as funções sintáticas dos substantivos: sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, complemento nominal, aposto e agente da passiva (essas palavras apresentam-se como núcleo do termo). Vejamos exemplos extraídos de frases abaixo constantes nas gramáticas dos teóricos citados a seguir e exemplos verificados no poema Os porquês... (de João Lover):
1. Porquê é substantivo; significa o motivo, a
razão. (José De Nicola & Ulisses Infante)
2. Note, pelo último exemplo, que a forma porquê pode
ser empregada no plural. (Mauro Ferreira)
3. O motivo, chamam-no de porquê. (João Lover)
4. O enigma é porquê. (João Lover)
5. A palavra porquê nos provoca. (João Lover)
Nos exemplos acima, observa-se que nenhum dos porquês tem
determinante anteposto. Função sintática pela numeração: 1. sujeito; 2. aposto;
3. predicativo; 4. predicativo; e 5. aposto.
Nas tabelas abaixo, declarações e exemplos verificados nas
gramáticas:
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José De Nicola & Ulisses Infante |
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Porquê é
substantivo; significa o motivo, a razão. Vem sempre
acompanhado de palavra que o caracteriza (artigo, pronome, adjetivo,
numeral): Deve haver
um porquê convincente para tal comportamento. (José De
Nicola & Ulisses Infante, Gramática Contemporânea da língua portuguesa,
São Paulo, Scipione, 1997, p. 414) |
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Mauro Ferreira |
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Porquê Essa
forma é empregada com o significado aproximado de razão/motivo. É
sempre precedida de artigo ou pronome. Exemplos: Ninguém
sabia o porquê da demissão do gerente. Não
houve um porquê específico para ele abandonar o projeto. Eles
nos traíram, mas jamais saberemos o porquê. Desconfiado,
ele nos interrogou com muitos porquês. Note,
pelo último exemplo, que a forma porquê pode ser empregada no plural. (Mauro
Ferreira, Aprender e praticar gramática, São Paulo, FTD, 2007, p. 42) |
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Faraco & Moura |
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— Não
me interessa o porquê de sua ausência. Porquê é um substantivo. Equivale a causa,
motivo, razão. Note
que o artigo precede o porquê, neste caso. (Faraco
& Moura, Gramática, São Paulo, Ática, 2000, p. 100) |
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Leila Luar Sarmento |
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Porquê Emprega-se
como substantivo, precedido de artigo ou pronome. Equivalente a motivo,
causa, razão: Ignoro
o porquê de sua partida. A
ministra mencionou outro porquê da mudança de horário. (Leila
Luar Sarmento, Gramática em textos, São Paulo, Moderna, 2005, p. 73) |
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Pasquale & Ulisses |
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A forma
porquê representa um substantivo. Significa “causa”, “razão”, “motivo” e
normalmente surge acompanhada de palavra determinante (artigo, por exemplo).
Como é um substantivo pode ser pluralizado sem qualquer problema: Dê-me ao
menos um porquê para sua atitude. Não é fácil
encontrar o porquê de toda essa confusão. Creio
que os verdadeiros porquês mais uma vez não vieram à luz. (Pasquale
& Ulisses, Gramática da língua portuguesa, São Paulo, Scipione, 2003,
p. 530) |
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Luiz Antonio Sacconi |
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A
conjunção aparece, às vezes, substantivada ou como sinônima de motivo,
razão; nesse caso recebe acento. Ex.: Aprendemos
um porquê, podemos aprender todos os porquês. Ninguém
sabe o porquê de ela ter feito isso. (Luiz
Antonio Sacconi, Nossa gramática: teoria e prática, São Paulo, Atual, 1994,
p. 47) |
Nota-se que as afirmativas coerentes são a de Pasquale & Ulisses e a de Sacconi.
segunda-feira, 16 de maio de 2022
Soneto dedicado a Djavan
Djavan
Imensa a produção poética,
coisas do sentir ele traduz,
criador de melodias magnéticas
vai jorrando da palavra uma Luz.
O vate Djavan é um navio
a viajar distribuindo emoção:
a canção nos causando arrepio,
despetalando-se em sedução.
Com a arte, lança o raio bendito,
solta a voz de supremo grito
e invade os corações alumbrando.
E vibramos do zoom ao infinito,
e nos tornamos de paixão o oceano
e apostamos que amar é o sentido.
João Lover
16/5/2022