sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Manjar de carne

Quando Deus fez as curvas,
Ele estava na chuva,
brincando, inspirado,
pensou num bailado:
o cacho de uvas
embalado pelo vento
e beijado por um pássaro.

O próximo passo
foi dar andamento
ao Colossal Intento.

E o Dono da perfeição
executa a impulsão,
cria o mais sedutor Manjar
e manda à “civilização”
o deslumbrante Exemplar
em Carne, maciez, beleza
(usou toda Destreza
nos singulares contornos).

Um impossível entorno
esse Ser apresenta:
imagem que ilude,
nos olhos, um grude,
o coração se apimenta.

E a mais voraz tormenta
do desejo acontece,
e o sangue se aquece
num pulsar desenfreado.

Um olhar concentrado
de libido e frenesi,
e os lábios a sorrir
ao tocarem essa pele.

O êxtase que isso impele
nos arrebata da Terra,
para outra atmosfera,
ao mistério mais distante,
numa paz extravagante.

Esse Corpo, num instante,
sem nenhum adereço,
preferido endereço,
sagrado esconderijo,
é tudo que não tem preço
e alguém diz não divido,
mais que por sobrevivência,
num devorar desvairado,
na selvagem apetência,
de prazer iluminado.
       João Lover

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